O mercado de precatórios vem deixando, aos poucos, o campo restrito do Direito para ocupar um espaço cada vez mais relevante no universo dos investimentos estruturados. Em um cenário de juros elevados, restrições fiscais e busca por ativos descorrelacionados do mercado tradicional, grandes investidores têm voltado sua atenção para esse segmento, que combina previsibilidade jurídica com potencial de retorno acima da média.
Fundos, family offices e investidores institucionais passaram a enxergar nos precatórios uma oportunidade que vai além da simples aquisição de crédito judicial: trata-se de uma estratégia de longo prazo, ancorada em decisões judiciais definitivas, com risco mitigado e margens ajustáveis conforme o perfil do investidor.
Para compreender melhor esse movimento e suas perspectivas, a Rádio Link Web ouviu a Droom Investimentos, instituição especializada em soluções financeiras estruturadas. Quem responde é Jayme Eduardo, diretor de Marketing da Droom, que detalha por que os precatórios deixaram de ser um tema técnico para se tornarem um ativo cada vez mais presente nas carteiras de grandes investidores.
Entrevista – Precatórios como investimento
RLW – Para começar, o que são exatamente os precatórios?
Jayme Eduardo – Precatórios são ordens de pagamento expedidas pelo Poder Judiciário contra entes públicos — União, estados ou municípios — após uma decisão judicial definitiva, ou seja, quando não cabe mais recurso. Na prática, representam créditos que pessoas físicas ou jurídicas têm a receber do Estado, com valor reconhecido judicialmente.
RLW – E por que esses créditos passaram a ser vistos como investimento?
Jayme Eduardo – Porque eles reúnem duas características muito valorizadas por grandes investidores: segurança jurídica e previsibilidade. Diferentemente de outros ativos, o precatório nasce de uma sentença transitada em julgado. O risco não está no reconhecimento da dívida, mas no prazo e na forma de pagamento, o que permite estruturar operações com retornos ajustados a esse cenário.
RLW – Qual é o tamanho desse mercado hoje no Brasil?
Jayme Eduardo – Estamos falando de um mercado que ultrapassa centenas de bilhões de reais em estoque de precatórios, considerando todas as esferas do poder público. Só a União responde por uma fatia expressiva desse volume, sem contar estados e municípios. É um mercado grande, pulverizado e ainda pouco explorado de forma profissional.
RLW – E quanto à rentabilidade média desse tipo de investimento?
Jayme Eduardo – A rentabilidade varia conforme o tipo de precatório, o prazo estimado de pagamento e a negociação com o credor original. Em média, operações bem estruturadas podem gerar retornos anuais que superam aplicações tradicionais de renda fixa, especialmente quando se considera o risco ajustado. É comum encontrar taxas bastante atrativas para investidores com horizonte de médio e longo prazo.
RLW – Há previsão de crescimento desse mercado nos próximos anos?
Jayme Eduardo – Sem dúvida. O crescimento é impulsionado por três fatores principais: o aumento do volume de ações contra o poder público, a necessidade de liquidez por parte dos credores e a profissionalização do mercado secundário de precatórios. Além disso, investidores estão cada vez mais sofisticados e dispostos a explorar nichos que oferecem previsibilidade e retorno consistente.
RLW – Podemos dizer que o investimento em precatórios veio para ficar?
Jayme Eduardo – Sim. O que antes era visto como um mercado marginal hoje se consolida como uma alternativa sólida dentro do universo dos investimentos estruturados. Para grandes investidores, precatórios já fazem parte de estratégias diversificadas e tendem a ganhar ainda mais espaço, especialmente em ambientes de incerteza econômica.
RLW – Quais cuidados o investidor deve ter ao entrar nesse mercado?
Jayme Eduardo – O principal é contar com assessoria especializada. Avaliar corretamente a natureza do precatório, o ente devedor, a ordem cronológica de pagamento e o arcabouço legal é fundamental. Não é um investimento para improviso, mas, quando bem conduzido, pode ser extremamente eficiente.
Análise final
O avanço dos precatórios como alternativa de investimento revela uma mudança importante no comportamento do capital de longo prazo. Em um ambiente econômico cada vez mais complexo, ativos que combinam segurança jurídica, previsibilidade e retorno consistente tendem a ganhar protagonismo.
Longe de serem apenas um tema técnico ou jurídico, os precatórios se consolidam como um nicho estratégico, especialmente para investidores capazes de compreender seus ciclos, riscos e oportunidades. O crescimento desse mercado não parece episódico, mas estrutural — reflexo de um Estado permanentemente demandado judicialmente e de investidores cada vez mais atentos a soluções fora do óbvio.
Para quem busca diversificação inteligente e visão de longo prazo, os precatórios deixam de ser apenas um direito a receber e passam a se afirmar como uma das oportunidades mais interessantes do atual cenário de investimentos.
Jânsen Leiros